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COVID-19

Como a pandemia do novo coronavírus tem evoluído em Marília e quais as projeções

Gustavo Leme Jornalista, fotógrafo e corintianíssimo.

Estudo compila dados oficiais da Vigilância Epidemiológica e analisa as hipóteses da disseminação na cidade ler

30 de março de 2020 - 07:00

Um vírus sofreu uma mutação, saltou de um animal para um ser humano. A partir daí, com o primeiro caso, outras pessoas são infectadas. Em alguns dias, a doença aumenta de proporção, às vezes silenciosa, às vezes mortal.

Há 17 dias, Marília entrou para a lista de cidades que passavam para um estado maior de alerta para o novo coronavírus (Covid-19), quando a Secretaria Municipal de Saúde e a Vigilância Epidemiológica informaram o registro do primeiro caso suspeito.

Nosso primeiro caso suspeito

Tratava-se de um estudante de 21 anos que viajou para a Europa com a família e voltou no dia 28 de fevereiro. Ele esteva na Espanha e França, e começou a sentir os sintomas no dia 2 de março. O estudante somente procurou atendimento no meio da tarde do dia 13 de março, na Santa Casa de Misericórdia. Prontamente atendido pelas equipes médicas, o estudante passou por exames e posteriormente foi liberado para ficar em casa em isolamento social, porém, monitorado.

Desde então, ações, discussões, divulgações e incertezas têm dominado a rotina da cidade, seus munícipes, mídia, gestores públicos, profissionais de várias áreas. Publicação de boletins, ferramentas, decretos (com recuos e correções), cuidados sanitários, calamidade, isolamento, protestos e cobranças foram pautas diárias em todas as regiões da cidade.

Evolução dos casos

A partir das divulgações oficias nesses 17 dias, o Marília do Bem traz compilado em gráficos os números (ou a falta de certezas desses números), já que ainda só temos casos suspeitos, quatro descartados e nenhum confirmado.

Processar e entender números é importante em situações de crise. Não seria diferente como na atual pandemia do novo coronavírus. Ao calcular variáveis — como número básico de reprodução (taxa de contágio), intervalo serial (tempo) e razão caso-fatalidade (taxa de mortalidade) — é possível estimar o impacto que uma doença pode ter.

Trabalhando com todas as divulgações suspeitas, temos a seguinte curva de evolução do quadro da Covid-19 em Marília, até o momento:

No início de uma epidemia, os números costumam ser bastante incertos, como é o caso da nossa cidade, pois variam de acordo com fatores sociais, culturais, ambientais e até políticos. Além disso, os modelos mais precisos costumam levar em conta inúmeros outros indicadores, como estão postos em artigos científicos consultados para elaborarmos essa matéria.

Os três dados citados acima não são eficazes, sozinhos, para se fazer uma previsão precisa. Porém, já ajudam a entender melhor a crise pela qual passamos e quais são as possíveis estratégias para combatê-la.

Taxa de contágio

Um dos passos fundamentais para descobrir o quanto uma doença pode se espalhar é descobrir o quão contagiosa ela é, qual seu número básico de reprodução. Uma maneira de fazer isso é contar quantos novos casos de infecção se originam, na média, a partir de uma pessoa que já esteja infectada.

Com os dados coletados em Marília, a disseminação da Covid-19 apresenta uma taxa de 1,63. O valor está abaixo dos 2,6 apresentados pelos indicadores analisados na China, mas, por vários fatores, não temos a precisão local dessa disseminação ainda e esses valores, claro, são uma aproximação.

Pode ser que alguns dos infectados não passem a doença para mais ninguém. Há também pessoas que são consideradas super-transmissoras, já que interagem com muito mais pessoas que a média.

Além disso, o número costuma mudar de acordo com o comportamento da população que está em contato com o vírus.

Tempo

Sabendo o quão contagiosa uma doença é, temos que levar em conta o tempo que um indivíduo infectado leva para que novas contaminações apresentem sintomas e entrem para a estatística; este seria o intervalo serial.

Em conjunto com a taxa de contágio, o intervalo serial revela quantas infecções poderiam surgir em determinado período, levando em conta as medidas de contenção tomadas e que a população não desenvolva forma alguma de imunidade.

Essa taxa percebida em Marília é de 4 dias, muito próxima do que foi percebido nos estudos de outras doenças respiratórias causadas por um coronavírus, que é de 4,4 dias.

Taxa de mortalidade

Este pode ser o parâmetro mais assustador, mas ainda necessário, sobretudo para se levar em conta as tomadas de decisões dos gestores públicos.

O indicador que, em tese, responde a essa pergunta é a razão caso-fatalidade. Trata-se do percentual de pessoas, entre aquelas com casos confirmados de uma doença, que morrem.

Como em Marília não há nada confirmado, sobretudo os dois óbitos em investigação, temos que levar em conta as taxas apresentadas em outras pesquisas, que seria em torno de 2,3% dos casos. Em outros lugares, como Itália e até mesmo no Brasil, esse percentual já se apresenta maior.

Com esses dados, montamos três outros gráficos que projetam os possíveis casos, dentro desta sistemática apresentada, para 60 dias desde o primeiro caso, num quadro mais otimista possível, tomando por base só os dados suspeitos notificados oficialmente.

Análise

Chama a atenção que, nesses termos, Marília poderia enfrentar os problemas que as medidas de isolamento tentam suprimir, que é o achatamento da curva de casos para não saturar o Sistema de Saúde, ainda no mês de abril.

O site Marília Notícia, no início da crise da pandemia na cidade, fez um levantamento de que o município possuía 64 leitos em UTI equipado de respiradores. Com as novas doações e investimentos anunciados, esse número deve chegar a 70 leitos, hoje. Porém, não são leitos exclusivos para o atendimento de pacientes de Covid-19.

Como vemos no gráfico, no dia 21 de abril, hipoteticamente, 74 dos 1.050 possíveis infectados demandariam internação. Essa taxa vem de um estudo, também Chinês, mas com dados semelhantes no Estado de São Paulo, de que 7% dos casos são considerados mais graves.

É claro que nem todos vão se infectar ou até mesmo apresentar sintomas. Mas sem as medias de controle, podemos chegar aos números assustadores percebidos em Wuhan (China) e Bérgamo (Itália) onde 0,5% da população local acabou infectada.

Com uma população estimada em 238 mil habitantes, de acordo com o IBGE, Marília chegaria a essa porcentagem praticamente no mesmo dia da falta de leitos de UTI.

Um estudo realizado em Oxford, na Inglaterra, publicado no dia 14 de março, estima que o Brasil chegue a ter até 10% da população infectada. Esses números, em Marília, seriam próximos aos casos diagnosticados subnotificados na epidemia de dengue que passamos em 2015. Com a fórmula hipotética que apresentamos, nosso epicentro poderá ser após o dia 15 de maio.

Falta de parâmetros globais

Não podemos comparar os números divulgados no Brasil com os divulgados por outros países, pois em cada lugar está se adotando uma forma diferente de testagem.

No caso brasileiro, por exemplo, de acordo com o Ministério da Saúde, só os casos hospitalizados e que apresentam sintomas graves estão recebendo testes diretos, feitos por diagnóstico molecular, para Covid-19.

Quando a maioria dos casos de uma doença é leve, apenas os pacientes em estado mais grave — e, portanto, com sintomas mais evidentes — acabam contabilizados. Assim, a taxa aumenta artificialmente, já que apenas os quadros mais críticos entram na conta.

Países como a Coreia do Sul, por exemplo, adotaram medidas opostas e praticaram o teste de forma maciça em sua população. Essa é, inclusive, uma das orientações mais contundentes da OMS (Organização Mundial da Saúde), em conjunto com o isolamento social e os cuidados sanitários individuais.

Pela vida de todos

Em tempos em que vemos um afrouxamento dessas regras, decretos e orientações, mais as apresentações de dados científicos, apelos de profissionais e cientistas, sobretudo da área da saúde, descartar esses números e exemplos não nos parece a ação mais adequada. E sendo hipotéticos, mas essenciais, esses números também podem nos dizer algo.

Reduzir a mortalidade de um patógeno passa por eficiência profissional, sobretudo dos gestores (em investir em medidas diretas — com verbas bem aplicadas na área da saúde — e indiretas — como campanhas com as orientações dos órgãos competentes), e velocidade e capacidade no atendimento hospitalar.

Essa eficácia, combinada com estratégias de contenção e prevenção, ajudam a diminuir os danos causados pela doença e, quem sabe, contradizer essas probabilidades que apresentamos, pelo bem e pela vida de todos.


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Gustavo Leme Jornalista por formação, aptidão e missão. Fotógrafo por simbiose biomecânica poética. Pirajuense de chão e Mariliense de coração, Guga atua desde 2002 com diagramação, fotojornalismo, imprensa escrita, rádio, comunicação corporativa, relações públicas, TV e mídias digitais, talvez nessa ordem mesmo, em diversas editorias. É também especialista em sofrer pelo Corinthians.

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