Projeto reúne 48 músicas inéditas de Pixinguinha, que completaria 125 anos
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Projeto reúne 48 músicas inéditas de Pixinguinha, que completaria 125 anos
Shows e discos celebram o legado do compositor, cujo aniversário foi no último sábado (23), Dia Nacional do Choro ler
A data do Dia Nacional do Choro foi escolhida em virtude do aniversário de Pixinguinha. Depois de 125 anos do nascimento dele, o público terá acesso a 48 músicas inéditas do saxofonista, flautista, arranjador e um dos maiores compositores da história do Brasil.
Depois de passar por São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, o projeto “Pixinguinha como Nunca” chega ao CCBB de Belo Horizonte nos dias 29 e 30 de abril e 1º de maio.
Em maio, o sexteto formado por Henrique Cazes (cavaquinho), Carlos Malta (flauta e saxofone), Silvério Pontes (trompete e flugelhorn), Marcelo Caldi (sanfona), Marcos Suzano (percussão) e João Camarero (violão de 7 cordas) entra em estúdio para gravar quatro discos com as 48 inéditas.
Os álbuns serão divididos da seguinte maneira: “Pixinguinha Virtuose”, com peças que exploram questões técnicas e virtuosísticas dos instrumentos; “Pixinguinha na Roda”, valorizando o balanço, o suingue, a fluência e a comunicação das rodas de choro; “Pixinguinha Internacional”, destacando o quanto Pixinguinha também estava ligado em gêneros de outros países como o tango argentino, a mazurca, o ragtime e o one step; e “Pixinguinha Canção”, cujo título é autoexplicativo.
Para este último álbum, grandes letristas já fizeram ou ainda vão criar versos para as músicas de Pixinguinha.
Entre eles estão Nei Lopes, que letrou o partido-alto “Me Leva, Neném”; Arnaldo Antunes, com o tango “Poética”; Eduardo Gudin, com o samba-canção “Modo de Olhar”; Salgado Maranhão, com a valsa “Ignez”; Cecilia Stanzione, com “Do Tango ao Amor”; e Paulinho Moska, com a modinha “A Dor Traz o Presente”. Paulinho da Viola ainda deve fazer a letra do choro-canção “Para Não te Esquecer”, e Gilberto Gil receberá a gravação instrumental de “Cafezal em Flor”.
“Uma parte destas inéditas estava no baú preservado pelo Alfredinho [filho de Pixinguinha]. A outra apareceu em cadernos de chorões antigos como o Candinho do Trombone. Pixinguinha tinha uma produção ininterrupta, compunha como respirava, criava até em situações adversas, como quando ficou internado 14 dias e saiu com 17 músicas novas”, diz Henrique Cazes.
“Encontramos composições feitas pelo Pixinguinha desde a juventude até o fim da vida dele, com a letra tremida, já enxergando mal. Mas a desenvoltura musical era maior do que a desenvoltura motora. No choro, Pixinguinha chegou ao domínio completo da forma, é como o Bach com os prelúdios e as fugas. Para fazer tudo o que o Pixinguinha fez, os Estados Unidos precisaram do Louis Armstrong, do Benny Goodman e do Duke Ellington”, completa Cazes.
Para reforçar a iniciativa foi lançado a Choro Timeline (timeline.casadochoro.com.br). O site é uma mistura de enciclopédia e almanaque do choro.
São 520 verbetes com textos bilíngues, em português e em inglês, fotos, áudios e vídeo-aulas que vão desde a década de 1830 —com pioneiros como Henrique Alves de Mesquita, Chiquinha Gonzaga, Sátiro Bilhar, Anacleto de Medeiros e Ernesto Nazareth, passando por ícones como Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Garoto, Waldir Azevedo e Radamés Gnattali— até nomes do choro contemporâneo.
“É um desejo antigo, um projeto que leva uma vida toda. Quisemos fazer algo tanto para quem é familiarizado, quanto para quem não conhece muito de choro. É uma tradição de quase 200 anos de história. A gente chega à era digital, à linguagem contemporânea, mas sem ser superficial e sem perder a informação de qualidade. Enfim, a gente se atualiza como o choro sempre fez, sempre foi uma música de vanguarda”, diz Luciana Rabello, cavaquinista e diretora da Casa do Choro.
Fonte: Folha de São Paulo
