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Oligarcas russos chegaram à conclusão de que estão num barco furado

Marília Fiorillo comenta em sua coluna a declaração do bilionário russo Oleg Tinkov, que não está sozinho em suas críticas às trapalhadas russas na Ucrânia e à megalomania expansionista de Vladimir Putin ler

25 de abril de 2022 - 20:00

A invasão da Ucrânia pela Rússia, que se esperava ser uma questão de dias, vem pagando tributos à diplomacia internacional e se revelado um fiasco não só diplomático, mas também militar. Finlândia e Suécia já cogitam aderir à Otan e as tropas russas na Ucrânia, combalidas pela confusão logística e resistência dos ucranianos, abandonaram o norte do país e prometem um ataque massivo no leste.

O detalhe mais interessante disso tudo, no entanto, segundo a professora Marília Fiorillo, foi a declaração de um dos maiores oligarcas russos, Oleg Tinkov, que criticou a ineficiência dos generais e do exército russos. A colunista nota que Tinkov nunca foi de oposição “e como outros oligarcas sofreu sanções até notar que estava num barco furado”. Mas ele não está sozinho na crítica às trapalhadas russas na Ucrânia. Ao magnata  juntaram-se pelo menos outros dois oligarcas, que “concluíram que a megalomania expansionista de Putin não vai dar certo”.

O milionário Tinkov foi ainda mais longe e falou em massacre no país vizinho, “juntando-se ao coro dos que pedem a interferência do Ocidente para deter ‘uma guerra louca e oferecer a Putin uma saída honrosa da deplorável operação militar especial’”. Operação militar especial substitui, no caso, a palavra guerra, que não pode ser usada pela mídia russa ou por oposicionistas do regime.

“A declaração de Tinkov e de outros oligarcas mostra que agora não se trata de milhares de cidadãos russos presos por protestos contra a guerra, mas dos donos do poder econômico. Até agora frustrada, a tentativa de ocupação da Ucrânia levou à morte milhares de pessoas […] destruiu a infraestrutura do país e criou um êxodo de 12 milhões de refugiados nos países vizinhos ou deslocados internamente”.  E a colunista tem mais a dizer: “Nunca, em tão curto período, tanta gente fugiu da morte anunciada. Enquanto aguardamos para assistir, horrorizados e online, o prometido massacre  do que ainda resta de Mariupol, vale a pergunta: quem, além da indústria armamentista, ainda torce por Putin?”

Fonte: Jornal da USP

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