O novo presidente não deve dividir o Brasil entre “nós e eles”
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O novo presidente não deve dividir o Brasil entre “nós e eles”
José Álvaro Moisés entende que, só atendendo também à demanda dos eleitores que votaram em Bolsonaro, a democracia poderá crescer e se desenvolver no País ler
Em sua última coluna do ano, o professor José Álvaro Moisés aborda a cerimônia de diplomação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ocorrida na última segunda-feira (12), algo que considera de extrema importância, “porque ratifica, de uma maneira institucional, de uma maneira dentro da legalidade e de acordo com os termos da Constituição, que o candidato que foi eleito nas eleições deste ano, no primeiro e no segundo turno, será o novo presidente da República, e ele tem todas as condições, do ponto de vista institucional, de assumir esse papel”.
O colunista considera importante registrar a postura do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Alexandre de Moraes, ao enfatizar que “essa diplomacia é a consagração da democracia, a defesa da democracia”, que esteve sob constante ameaça nos últimos anos. “O esforço que o Tribunal Superior Eleitoral fez para controlar as fake news e, ao mesmo tempo, garantir a lisura da eleição foi muito importante.” E aqui Álvaro Moisés destaca também trechos do discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na defesa da democracia. “Há uma observação no discurso que o presidente fez que pode suscitar algum debate: em algum momento, ele faz uma divisão entre aqueles que defenderam a democracia e os que a atacaram. É, de certa maneira, um arriscado discurso de nós e eles, e isso, de alguma maneira, precisa voltar a ser discutido amplamente no Brasil.”
Para o colunista, o novo presidente deve prestar muita atenção a isso. Moisés observa que um presidente não deve governar apenas para seus eleitores, e sim para o conjunto do país. “O novo governo, por mais difícil que isso seja, terá que prestar muita atenção também na demanda dos eleitores que votaram no outro candidato. Acho que o novo presidente deve abandonar completamente a ideia de dividir o País entre nós e eles […] e deve se referir à responsabilidade do governo para atender a todos os brasileiros, inclusive aqueles que votaram no presidente Jair Bolsonaro. A democracia, na verdade, crescerá e se desenvolverá se isso ocorrer nessa dimensão.”
Fonte: Jornal da USP
