Exposição com curadoria de Lilia Schwarcz propõe reflexão sobre a arte
- Ou entre em contato por telefone.
- (14)98839-6695
- (14)98839-6695
-
Localização
-
-
Horário de Atendimento:
Exposição com curadoria de Lilia Schwarcz propõe reflexão sobre a arte
-
Localização
-
-
Horário de Atendimento:
- Ou entre em contato por telefone.
- (14)98839-6695
- (14)98839-6695
- Ou entre em contato por telefone.
- (14)98839-6695
- (14)98839-6695
-
Localização
-
-
Horário de Atendimento:
- O agendamento se dará de acordo com a disponibilidade. Retornamos para confirmar.
- Ou entre em contato por telefone.
- (14)98839-6695
- (14)98839-6695
-
Localização
-
-
Horário de Atendimento:
Exposição com curadoria de Lilia Schwarcz propõe reflexão sobre a arte
- Se preferir entre em contato com a gente.
- (14)98839-6695
- (14)98839-6695
-
Horário de Atendimento:
Exposição com curadoria de Lilia Schwarcz propõe reflexão sobre a arte
Mostra 'Vários 22' traz negros falando de negros e indígenas falando de indígenas, ao invés da visão dos brancos ler
Qualquer um que se interesse pela história da arte brasileira ou que tenha visitado alguma exposição de arte nos últimos meses já está situado sobre a celebração do centenário da Semana de Arte Moderna. Aquela que aconteceu em fevereiro de 1922, e propunha uma nova estética artística e social. A ideia era romper com o academicismo e o tradicionalismo, trazendo novos nomes para o mundo das artes com obras de temas nacionalistas e cotidianos.
Cem anos depois, a curadora de arte Lilia Schwarcz pretende fazer o mesmo, porém de maneira muito mais atual. “A branquitude, em geral, não fala de si, porque a branquitude é a norma; então fala só dos outros. Mas os outros são os seus outros, suas projeções, suas fantasias e medos e não a realidade que pretendem retratar. São coleções, portanto, que primam por representar o ‘outro’, mas não exatamente incluí-lo”, explica ela. Assim, até o dia 21 de maio, a mostra Vários 22, na galeria Arte132, pretende propor um diálogo entre tipos de artes, artistas e galerias e maneiras de retratar.
Logo ao entrar no simpático portão laranja da Avenida Juriti, em Moema, percebemos esse tom político da exposição, com o quadro Identidades de Larissa de Souza. Nele, uma mulher negra com roupas delicadas em tons pastéis encara o observador. “Esse é um retrato do respeito e da autoafirmação negros, em tudo oposto a imagem esteriotipada criada pela própria sociedade branca”, explica Lilia.
E assim seguimos a cada passo do espaço que, apesar de pequeno, conta com 80 trabalhos de dez galerias e artistas independentes – além da coleção de a coleção de Telmo Porto, diretor da Galeria Arte 132 -, cada qual dialogando uma com a outra, independente da sua forma e sua identidade cânone ou não. Se trazem obras de ‘outros’ feitas por brancos, também dão espaço para cada um representar a si mesmo: mulheres, indígenas e negros. “O objetivo de vário foi, então, retirar tais obras da transparência confortável em que se encontram e contrastá-las com artistas contemporâneos que iluminam ambiguidades que permanecem imanentes nesses trabalhos e assim, de certa maneira, naturalizadas”, conta Lilia.

Dois artistas bem emblemáticos que falam exatamente sobre isso são Glauco Rodrigues e Gê Viana. Enquanto o primeiro usa cores fluorescentes e vibrantes para revisitar a história do Brasil com um tom carnavalesco – carregando humor e crítica social em assuntos vinculados à história nacional; Gê Viana faz uma releitura das obras de Jean-Baptiste Debret em sua série “Atualizações traumáticas de Debret”. Na obra Jantar brasileiro, por exemplo, ao invés da cena colonial dominada por pessoas brancas, a cena é colocada com negros como protagonistas, os quais carregam ipads e sandálias estilosas.
O mesmo acontece com os indígenas nas obras de Denilson Baniwa que faz uma provocação nas gravuras coloniais introduzindo pinturas de guerra e de etnia, além de escarificações (cicatrizes para fins decorativos) sobre os desenhos do naturalista Johann Moritz Rugendas.
DETALHES
É importante que o visitante reserve um tempo para passear pela galeria. O olhar deve ficar atento à percepção de detalhes históricos, sociais e até mesmo contemplativos que a exposição traz – algo já esperado de uma mente como a de Lilia. No segundo andar, escondido, é possível observar uma obra de Di Cavalcanti, na intenção de mostrar que mesmo alguém com um nome forte deve ceder espaço aos novos. E assim, como aconteceu em 1922, abrir espaço para o novo e permitir o diálogo. “Essa também é uma forma de a gente ver a Semana do 22, que foi uma semana em São Paulo, e não de São Paulo. Se não fossem os outros não existiria a semana”, reflete Lilia.
Justamente por esse diálogo, é essencial que se observe a obra sozinha e, em seguida, reflita como ela dialoga com a obra à sua frente, ao seu lado, e assim por diante. Da escada, por exemplo, vemos um grande índio de Flávio Cerqueira com havaianas e estilingue no bolso em contraste com o bandeirante em miniatura de Jaime Lauriano, feito com cartuchos de munição utilizados pela Polícia Militar e Forças Armadas Brasileiras. “Faz você pensar em quem está demolindo quem aqui”, diz ela.
Serviço
‘Vários 22’
Arte132 – Av. Juriti, 132, Moema, São Paulo
Até 21 de maio; De seg. a sex., das 14h às 19h. Sáb., das 11h às 17h
Entrada gratuita
Fonte: O Estado de São Paulo
