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Contra a epidemia da ignorância só existe a vacina da informação
É o que diz o professor Paulo Saldiva ao comentar a queda na taxa de vacinação como a principal causa do ressurgimento dos casos de sarampo ler
O sarampo, que há muito estava sob controle no Brasil, voltou a ser fonte de preocupação das autoridades sanitárias, e esse é o tema da coluna de hoje (18) do professor Paulo Saldiva, que observa que o Estado de São Paulo confirmou 25 casos da doença. A culpa não é outra se não da queda na taxa de vacinação, situação tanto mais grave quando se sabe que o sarampo é uma moléstia que pode afetar, de forma muito severa, vários órgãos do corpo humano, podendo mesmo levar à morte. “Como a gente não vê mais sarampo, as pessoas se sentem protegidas e talvez não queiram tomar a vacina”, diz o colunista. Também é verdade que houve um desaparelhamento progressivo, no País, do Sistema Nacional de Imunizações, não tivesse sido ele bastante carregado, nos últimos anos, pela epidemia da covid-19.
Saldiva atribui a culpa por essa resistência à vacina ao ambiente antivacinal que se criou ao redor do mundo. “Sempre houve uma certa resistência das medidas de proteção à saúde pública num diálogo com a preservação das liberdades individuais”, argumenta ele. No entanto, a situação se agravou com a publicação de um artigo, em 1999, na revista Lancet, segundo o qual a vacina tríplice – que protege contra sarampo, caxumba e rubéola – estava associada a um maior risco de provocar autismo. Apesar de estudos posteriores terem demonstrado que isso não acontecia, com a própria Lancet, em 2010, fazendo a retratação do artigo, “o estrago já estava feito”. De acordo com Saldiva, é como se fosse uma outra epidemia, “a epidemia da ignorância”, contra a qual só existe uma vacina, a da informação.
Fonte: Jornal da USP
