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Caetano Veloso inicia turnê de ‘Meu Coco’ com ‘Fora, Bolsonaro’ e clássicos

Repertório inclui faixas do último disco do músico e sucessos de sua carreira, como 'Leãozinho' e 'Reconvexo' ler

06 de abril de 2022 - 13:00

Depois da volta aos palcos em uma série de shows pela Europa e prestes a completar 80 anos, Caetano Veloso iniciou em Belo Horizonte a turnê nacional de seu mais recente disco, “Meu Coco”, lançado em outubro do ano passado.

Com quase duas horas de duração, o show reuniu 25 músicas que transitaram entre os clássicos da carreira do cantor e as canções do novo álbum. Ficou evidente uma empolgação maior da plateia com os sucessos do passado, como “Sampa”, “Reconvexo” e “O Leãozinho”.

Apesar de não fazer grandes comentários sobre o cenário político do país, Caetano não deixou de se posicionar perante as críticas feitas pelo público ao atual presidente Jair Bolsonaro. “Sem sombra de dúvida”, foi a resposta do cantor após um dos inúmeros coros de “Fora, Bolsonaro” puxados pela plateia ao fim de cada música.

Com voz firme e segura, o baiano conversou em alguns momentos com o público, lembrou de suas bandas do passado e das parcerias que desenvolveu ao longo da extensa carreira.

A apresentação começou com “Avarandado” e deu sequência com sua nova música “Meu Coco”, que homenageia o amigo e mestre João Gilberto e dá nome ao seu novo projeto.

“Anjos Tronchos”, também do novo álbum, veio em seguida. No início do espetáculo a plateia não parecia tão empolgada e motivada a cantar junto com Caetano. Esse clima mudou quando o cantor puxou os primeiros versos de “Sampa”, que foi acompanhada por um coro da plateia, além de palmas e assovios.

“Muito Romântico”, “Não Vou Deixar” e “You Don’t Know Me” encerraram o primeiro bloco de músicas. Só então, o cantor conversou com a plateia pela primeira vez, durante a noite.

“A gente está estreando, um pouco preocupado de ansiedade. Eu cheguei aqui e nem dei boa noite”, disse o cantor. Caetano também falou que, por estar próximo de completar 80 anos, esse novo show busca relembrar a sua história e traz uma pegada autobiográfica.

Relembrando seu passado e os parceiros com quem já trabalhou, Caetano falou com carinho sobre o grupo A Outra Banda da Terra. O próximo bloco de canções começou com “Trilhos Urbanos”. A nova “Ciclâmen do Líbano” e “A Outra Banda da Terra”, sua música em homenagem aos amigos, “Araçá Azul” e “Cajuína” vieram na sequência.

Os momentos em que Caetano deixava o violão de lado e arriscava alguns passos de dança arrancaram gritos empolgados da plateia. E foi com esse clima animado que o público cantou com mais vigor durante toda a noite já nos primeiros versos de “Reconvexo”. Foi também após essa música que os aplausos se mostraram mais intensos.

As escolhas do setlist se mostraram muito acertadas, revezando entre músicas mais novas e menos conhecidas, com clássicos da carreira do cantor. A nova “Enzo Gabriel” parecia não ser tão conhecida por grande parte do público. Enquanto “O Leãozinho” estava na ponta da língua de toda a plateia. “Itapuã”, também agradou o público.

Com “O Pulsar”, Caetano fez uma homenagem ao poeta Augusto de Campos, que segundo ele foi uma grande referência e um dos marcos em sua formação enquanto artista. “A Bossa Nova É Foda”, “Baby” e “Menino do Rio” vieram em seguida e também animaram a plateia.

Antes da próxima música e caminhando para o final do show, Caetano apresentou os músicos que o acompanham e puxou uma das músicas mais animadas do novo álbum, “Sem Samba Não Dá”, que cita grandes nomes da nova geração da música brasileira.

Com “Lua de São Jorge”, o cantor foi para a frente do palco, tocou nas mãos dos fãs e fez todo o público ficar de pé e cantar junto com ele. Após a saída do palco, pedidos de bis e gritos com o nome do ex-presidente Lula, Caetano voltou para cantar as últimas três músicas da noite – “Mansidão”, “Odara” e “Noite de Cristal”.

Caetano faz ainda mais duas apresentações em Belo Horizonte, neste sábado (2) e domingo (3). Depois, a turnê segue por Porto Alegre, Itaipava (RJ), São Paulo, Salvador, Recife, Rio de Janeiro e Brasília.

Fonte: Folha de São Paulo

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